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Brasileiro que vive no Japão conta rotina: “Antes de entrar na porta da fábrica, eles tiram a temperatura de todo mundo”

Funcionário de uma fábrica do ramo alimentício, Masayoshi Hotta é filho de japoneses e nasceu em Mirandópolis, no interior de São Paulo. Entre idas e vindas na ponte aérea entre o Brasil e o Japão, morou por 40 anos no Rio Grande do Sul, parte do período em Porto Alegre e outra em Imbé. Há um ano e três meses, voltou a residir no Japão, na cidade de Kurume, próxima de Fukuoka. Nesta entrevista, ele conta como está a rotina no país asiático diante da pandemia de coronavírus.

O cotidiano do senhor mudou muito devido ao coronavírus?
Eu vou trabalhar todos os dias. A minha esposa faz 10 dias que chegou, vinda do Brasil. Ela não está podendo trabalhar. Foi colocada em quarentena, e estamos até morando separados nesse período. A empreiteira em que ela vai trabalhar pediu que ficasse em quarentena. Estamos sem contato. Máscara, a gente usa o tempo todo. Saiu na rua, bota a máscara. Os mercados e os shoppings estão funcionando, mas não se vê muita gente neles. O povo japonês é muito obediente. Aqui no Japão, não tenho visto trem lotado, praia lotada, como no Brasil. Aqui, as pessoas acatam o pedido do governo.

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O senhor vai trabalhar diariamente como?
Temos ônibus da empresa que nos leva e traz todo dia. Mas, sem dúvida, eu tenho visto os trens vazios na minha região. Eu, às vezes, pego o trem expresso no centro da cidade, sempre estava lotado. Agora, vejo vazio. Mercado também, sempre cheio. Tenho visto quantia bem menor.

Por que o senhor acha que isso acontece, mesmo sem uma ordem expressa do governo?
O japonês é muito cuidadoso. E tem questões culturais. O japonês não se cumprimenta dando a palma da mão. Ele se curva. Isso já é uma vantagem. E o japonês não é de ficar muito perto um do outro. É um povo muito fechado, não tem muita abertura para convidar de ir um na casa do outro. Não é igual ao brasileiro que é festa, passeio toda hora, churrasco e churrasco.

A fábrica em que o senhor trabalha deve continuar operando ou pode parar se a crise do coronavírus piorar?
A produção da fábrica caiu mais de 50%. Já estão falando em cortes de funcionários devido à falta de vendas. Eles vendem para essas lojas de conveniências que abrem 24 horas. Então, a produção caiu muito. O japonês come muita comida pronta, essas de esquentar. Pode acontecer de fechar a fábrica temporariamente, se tiver alguém com problema. Antes de entrar na porta da fábrica, eles tiram a temperatura de todo mundo. Se tirar com febre, já volta para casa, não entra . Eles têm cuidados grandes. Sem o vírus, já aconteciam muitos desses cuidados.