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Por que é possível criar vacinas para um vírus e não para outros?

Conhecida como uma das invenções mais importantes da humanidade, a vacina foi responsável por colaborar imensuravelmente com a evolução humana, adaptando os indivíduos e comunidades a sobreviver em situações adversas e fortalecendo o organismo no combate às doenças e máculas.

Porém, da mesma forma que a vacinação surge como uma atividade essencial para a manutenção da saúde das populações, os agentes a serem eliminados, os micro-organismos, continuam surgindo cada vez mais adaptados, sem dar descanso à comunidade científica que tanto pesquisa e estuda para continuar evitando que crises em escalas destrutíveis voltem a assolar o planeta.

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A crise pandêmica do coronavírus, então, reacendeu a discussão sobre a importância da vacina e seu processo de fabricação, colocando em xeque o meio científico especialmente por conta da demora no aparecimento de um antiviral eficaz, já que há meses é possível observar um esforço coletivo para contornar o surto, mas sem sucesso mesmo com toda a tecnologia e os recursos disponíveis para o avanço dos estudos.

O quê está faltando para surgir uma vacina anticovid-19?

Fabricar uma vacina é um processo longo e de altíssimo custo. Identificar a doença ou a presença de sintomas em uma amostra populacional não é o mesmo que trabalhar em cima de anticorpos ou de agentes preventivos de combate para o organismo, conceituando rotinas complementares e essenciais para a compreensão do funcionamento do vírus e sendo o primeiro passo para o início das pesquisas.

Apesar do novo coronavírus atingir o planeta e continuar fazendo um estrago desde dezembro de 2019 e mesmo antes, já que uma outra modalidade da doença, mais transmissível do que o H1N1, foi identificada durante 2009 e 2011, a limitação de recursos e a extrema competitividade para a fabricação de um antiviral eficaz contra a doença ainda colocam as mais de 130 vacinas em produção em seus estágios iniciais, sendo testadas em animais e em um grupo pequeno de voluntários, mas sem resultados conclusivos para serem lançadas ao mercado.

Diversos estágios pré-clínicos, baterias de testes em grupos de voluntários, detecção de doses efetivas, administração das vacinas e um enorme processo burocrático, porém necessário, já que a questão principal é a segurança e a proteção da vida humana, são apenas os primeiros passos para um projeto de custos imensos na casa dos bilhões de dólares, que certamente barram a aprovação acelerada de medicamentos e tornam o tempo algo ainda mais precioso.

Mas por que, então, o coronavírus de 2009 foi combatido e, mesmo assim, há tanta demora em relação ao de 2019/2020?

A resposta pode ser mais simples do que se pensa: o vírus. Habitantes silenciosos das células humanas, os micro-organismos são, atualmente, a maior ameaça para o corpo, com potencial mortal em diversos casos e exigindo um esforço tremendo para serem combatidos. Enquanto sofremos fisicamente, o sistema imunológico parte em uma interminável caçada aos pequenos inimigos, que se espalham pelo corpo e se replicam, tornando a detecção muito mais complicada.

Porém, os vírus possuem uma tendência natural a possuir outros dentro deles, abrindo portas para o surgimento de diversas variações que, para a comunidade científica, demandaria muito mais tempo e custo para serem eliminados, já que criar vacinas para cada especificidade viral e a cada momento em que surgem não seria algo nem um pouco prático.

Como uma árvore genealógica humana, os vírus também possuem um ancestral em comum, especialmente se são da mesma natureza, como os da gripe. Porém, com sua evolução e adaptação, explorar pesquisas para identificar uma semelhança entre os vírus contra os quais já existem vacinas e os que ainda não são plenamente extermináveis torna-se uma atividade muito mais difícil, principalmente se limitada por recursos financeiros, pessoais e de tempo.

Existe esperança para o fim do coronavírus?

Apesar do esforço insuficiente e do sigilo atual de diversas instituições ao competirem entre si para uma questão que envolve toda a coletividade e, logicamente, deveria ser um propósito em comum, a corrida certamente alavancará a excelência em fabricar uma vacina eficaz e de longa duração, já que a população está sabendo aceitar os imensos investimentos de recursos que estão sendo levantados para a confecção dos antivirais.

Os primeiros resultados dos esforços de pesquisadores e cientistas já estão começando a surgir de maneira surpreendentemente rápida, apesar da urgência de uma solução, já que a pandemia está com números arrasadores em todo o planeta, deixar os cidadãos cada vez mais ansiosos ao ponto de acreditar que nada está sendo feito para combater a covid-19.

Mas será mesmo que nada está sendo realizado? Será que todo o investimento voltado para o futuro e para uma provável resolução definitiva da crise já não está dando resultados positivos? Talvez seja uma questão de ponto de vista, mas que vale a reflexão.