Autoridades japonesas passaram a aconselhar discretamente pescadores a evitarem as ilhas Senkaku, no Mar da China Oriental, em uma tentativa de impedir a escalada das tensões diplomáticas com a China, segundo relatos. A orientação marca uma mudança em relação à postura anterior de Tóquio, que por anos tolerou essas viagens como forma informal de reforçar a soberania japonesa sobre o arquipélago disputado.
As ilhas, administradas pelo Japão e reivindicadas pela China (que as chama de Diaoyu), tornaram-se ainda mais sensíveis após declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan, em novembro, que agravaram as relações bilaterais. Desde então, pescadores relataram telefonemas e encontros com autoridades alertando para o risco de incidentes que poderiam “levar à guerra”.
O governo japonês não confirmou oficialmente os pedidos, mas analistas apontam um dilema estratégico: a pesca ajuda a demonstrar controle japonês, porém aumenta o risco de confrontos com a guarda costeira chinesa, cujas incursões na área atingiram níveis recordes no último ano. Ao mesmo tempo, uma retirada total pode abrir espaço para que Pequim intensifique ainda mais suas reivindicações.
Apesar dos alertas, alguns pescadores afirmam que pretendem continuar retornando às águas disputadas, citando a importância econômica da pesca na região e defendendo a presença japonesa como essencial para sustentar as reivindicações territoriais.
Fonte: Japan Today








