O governo japonês estuda encerrar ou reorganizar a empresa gestora do fundo Cool Japan Inc., criado em 2013 para promover a cultura japonesa no exterior, após sucessivos prejuízos e resultados abaixo das metas estabelecidas.
Idealizado pelo ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, o projeto tinha como objetivo impulsionar a economia japonesa por meio da exportação de produtos culturais, como animes, gastronomia, moda e entretenimento. No entanto, o fundo acumulou perdas de 38,3 bilhões de ienes até o final do ano fiscal de 2024.
A situação se agravou com os problemas financeiros da startup de biotecnologia Spiber Inc., que recebeu investimentos de cerca de 14 bilhões de ienes do fundo e entrou em negociações para reestruturar suas dívidas.
Desde sua criação, o governo japonês investiu aproximadamente 140,6 bilhões de ienes no projeto, enquanto empresas privadas contribuíram com 10,7 bilhões de ienes. Apesar dos recursos aplicados, muitas das empresas apoiadas não apresentaram o desempenho esperado.
Pela legislação japonesa, fundos público-privados que deixam de atingir suas metas de desempenho por três vezes devem passar por revisão ou reorganização. O Cool Japan já falhou em alcançar seus objetivos nos anos fiscais de 2020 e 2021, e há indícios de que o mesmo tenha ocorrido novamente.
Críticos argumentam que iniciativas desse tipo precisam de fiscalização mais rigorosa, destacando que investimentos públicos em empresas privadas frequentemente enfrentam dificuldades para gerar retorno financeiro compatível com os recursos empregados.
A possível extinção do fundo representa um revés para uma das principais estratégias de diplomacia cultural e promoção internacional do Japão adotadas na era Abe.
Fonte: Japan Today











