Um estudo recente apontou que o número de gestações múltiplas resultantes de técnicas de reprodução assistida no Japão alcançou um recorde de 4.354 casos em 2023, representando um aumento de 36% em relação ao ano anterior. O crescimento ocorreu após a ampliação da cobertura do seguro de saúde público para tratamentos de fertilidade, implementada em 2022.
Pesquisadores acreditam que o aumento esteja relacionado à maior procura pela transferência simultânea de múltiplos embriões, uma estratégia adotada por alguns pacientes para aumentar as chances de gravidez dentro do limite de ciclos cobertos pelo sistema público de saúde.
As gestações múltiplas, especialmente de gêmeos, trigêmeos ou quadrigêmeos, são consideradas de maior risco tanto para as gestantes quanto para os bebês. Por esse motivo, a Sociedade Japonesa de Obstetrícia e Ginecologia recomenda, em princípio, a transferência de apenas um embrião por vez durante a fertilização in vitro.
Segundo o estudo, a taxa de gestações múltiplas, que vinha se mantendo próxima de 3% desde 2014, subiu para 3,8% em 2023. A maioria dos casos envolveu gêmeos, mas também foram registrados 69 casos de trigêmeos e seis de quadrigêmeos.
O sistema público japonês cobre até seis transferências de embriões para mulheres com menos de 40 anos e até três transferências para aquelas entre 40 e 42 anos. A pesquisa identificou um aumento especialmente significativo na transferência de dois ou mais embriões entre mulheres com 41 anos ou mais.
De acordo com Ayumu Ito, um dos autores do estudo, os resultados indicam a necessidade de revisar o sistema de cobertura, considerando os impactos das gestações de alto risco sobre os serviços de assistência materna e neonatal.
Além do aumento das gestações múltiplas, o estudo também constatou crescimento no número total de procedimentos de reprodução assistida realizados no país.
Fonte: Japan Today











