Comportamento

Largar o celular ajuda a emagrecer

Em estudo publicado em maio deste ano pela revista Physiology and Behavior, pesquisadores de duas universidades brasileiras e uma holandesa divulgaram os resultados de um experimento que analisou os efeitos do uso do celular, e outras distrações, no momento das refeições. Através de uma amostra de 62 indivíduos entre 18 e 28 anos, a conclusão foi o aumento médio de 15% na ingestão calórica para aqueles que utilizavam o aparelho durante a alimentação.

Segundo o estudo, dividir a atenção do cérebro entre o processo de mastigação e outras atividades, como usar o celular ou mesmo ler um artigo impresso, podem impulsionar o ganho de peso. Um dos responsáveis pela pesquisa, Márcio Gilberto Zangeronimoa, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), ressalta ainda que distrações no momento da alimentação, sejam elas de comidas saudáveis ou finger foods, podem impedir que o cérebro entenda corretamente a quantidade de comida ingerida, e consequentemente, possa aumentar a ingestão de calorias.

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A pesquisa que analisou, além do comportamento dos indivíduos no momento da alimentação, dados gerais como o IMC (Índice de Massa Corporal), idade, sexo e fatores psicológicos ressalta que, embora homens mais velhos tenham apresentado o maior ganho de peso na amostragem; ao considerar uma refeição de 535 calorias, por exemplo, o que se viu ao final, foi um ganho de 616 calorias, sendo que 10% deles tenderam ainda à escolha de alimentos gordurosos.

A conclusão aponta também a relação do uso de smartphones e tablets por pessoas com tendência à obesidade. Segundo Zangeronimoa, manter esse tipo de distração principalmente na infância pode causar efeitos ainda mais alarmantes com um risco 43% maior para o ganho de peso nessa faixa etária: “Tablets e smartphones se tornaram os principais ‘distratores’ durante as refeições, mesmo na infância, por isso é importante prestar atenção em como isso pode afetar as escolhas alimentares” – afirmou.

O estudo que segue em linha com outras pesquisas internacionais como a análise realizada entre 2013 e 2015 pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, nos deixam um novo e importante alerta: dedicar a atenção devida para cada atividade, além de contribuir para o correto funcionamento cognitivo, permite a ingestão calórica necessária para as atividades cerebrais computarem a informação corretamente.