Comunidade

O que é ser um “Dekassegui” no Japão?

O que significa “Dekassegui”? O verbete dekassegui (出稼ぎ), formado pela união de 出る (deru, sair) e 稼ぐ (kasegu, ganhar dinheiro), é utilizado no Japão para designar todos trabalhadores estrangeiros residentes no Japão, tenham ou não ascendência japonesa.

Os japoneses que já migraram de províncias distantes para trabalhar nos grandes centros – como Tóquio e Osaka – também são chamados de dekasseguis.

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Traduzindo para português, dekassegui equivale a trabalhador migrante. No início do século XX, milhares de japoneses emigraram para outros países com o intuito de fazer fortuna e retornar para o Japão. No caso do Brasil, a imigração começou em 18 de junho de 1908 com a chegada do Kasato Maru e praticamente cessou na década de 1960.

Formou-se então, no Brasil, a maior comunidade de japoneses e descendentes de japoneses que vive fora do Japão. Comunidade pela qual faço parte e que talvez você faça parte também.

A partir do fim dos anos 80, ocorreu uma inversão do fluxo migratório entre o Brasil e o Japão. Os brasileiros descendentes ou cônjuges de japoneses passaram a imigrar para o Japão à procura de melhores oportunidades de trabalho. Com necessidade de mão-de-obra na década de 1980, o Japão criou leis para facilitar a entrada de trabalhadores estrangeiros no país.

Dekasseguis no Japão

Em junho de 1990 foi editada a “Lei de Controle de Imigração”, permitindo que japoneses e seus cônjuges ou descendentes (nikkeis, 日系) até a 3ª geração (sanseis) possam exercer qualquer atividade e com um período de residência relativamente longo.

Até pouco tempo atrás, o visto para descendentes de japoneses da quarta geração (yonseis) só era concedido se estes imigrassem na companhia dos pais (3ª geração, sanseis), o que trazia muito descontentamento para muitos brasileiros dessa geração.

Apesar de terem se passado 25 anos desde a “Lei de Controle de Imigração”, o governo japonês ainda não tem facilitado o visto de longa permanência para a quarta geração adulta de descendentes de japoneses. É possível conseguir, no entanto há uma série de exigências. Uma delas é ter conhecimento básico do idioma japonês, equivalente ao nível 4 do JLPT.

Vida de dekassegui no Japão

Ser dekassegui no Japão

O desemprego e as crises econômicas brasileiras das décadas de 1980 e 1990 incentivaram os descendentes de japoneses a trabalhar no Japão onde os salários são bem melhores. Junto com eles, foram seus cônjuges, uma parte sem ascendência japonesa, além de filhos mestiços ou não.

Na maioria dos casos, a história se repete. A maioria chega no Japão com a intenção de ficar um, dois, três anos. Cada com o seu sonho: juntar dinheiro pra terminar os estudos, comprar uma casa ou abrir um negócio no Brasil.

Mas o tempo vai passando, passando… e quando percebem, passaram-se 8, 10, 15, 20 anos ou até mais. Muitos acabam se casando e veem seus filhos nascendo e crescendo no Japão.

Com isso, os planos iniciais mudam e o sonho de voltar definitivo para o Brasil acaba ficando cada vez mais distante. A insegurança gerada pelo retorno, acaba fazendo com que uma grande leva de brasileiros opte em viver por muito tempo na Terra do Sol Nascente. No Japão, acabamos nos acostumando com um padrão de vida que seria impossível ter em terras tupiniquins.

Embora, muitos carreguem um desejo íntimo de um dia voltar para a “pátria amada e idolatrada” Brasil, sabem que recomeçar do zero é muito difícil. A praticidade que o Japão oferece, além de um salário digno apesar das longas e exaustivas jornadas de trabalho, ainda são grandes motivadores para que muitos adiem a volta para a terra natal.

E muitos que tentam, acabam sofrendo com a famosa síndrome do regresso. Ser dekassegui é isso… conviver diariamente com um carrossel de emoções.

Lidar com a saudade dos familiares, se adaptar aos costumes locais, transpor barreiras relacionadas ao idioma, construir metas e objetivos durante a permanência na Terra do Sol Nascente, sonhar com um futuro melhor para os filhos… são apenas alguns dos percalços que enfrentamos no Japão… Mas a experiência que trazemos na bagagem faz todo o esforço valer a pena na minha opinião.

Fonte: Japão em Foco