HEKINAN (Aichi) – A gastronomia brasileira ganhou destaque neste fim de semana na cidade de Hekinan, província de Aichi, com a realização de um workshop de acarajé ministrado pela chef Vânia Gomes, fundadora do projeto Le Petit Brésilien, na França. Reconhecida por promover a culinária brasileira na Europa há mais de duas décadas, Vânia está no Japão para participar do Arte Brasil 2026, onde será uma das responsáveis pela preparação do coquetel servido aos artistas, convidados e autoridades presentes no evento.
Natural do Brasil, Vânia conta que sua paixão pela gastronomia nasceu ainda na infância, observando a mãe cozinhar.
“Minha mãe sempre cozinhou muito bem e fazia comida para vender. Eu ficava ali observando tudo. Ela nunca me ensinou diretamente, mas eu prestava atenção em cada detalhe. Foi assim que nasceu minha paixão pela gastronomia”, relembra.
Embora o interesse pela culinária tenha surgido cedo, sua trajetória profissional começou somente após sua mudança para Portugal. Foi lá que trabalhou como cozinheira, abriu seu primeiro restaurante e, posteriormente, chegou a administrar três estabelecimentos. Após uma crise econômica que levou ao fechamento dos negócios, retornou brevemente ao Brasil antes de se estabelecer definitivamente na França, onde vive há 13 anos.
Hoje, através do Le Petit Brésilien, expressão que pode ser traduzida como “O Brasileirinho” ou “O Pequeno Brasil”, Vânia promove uma gastronomia que ultrapassa fronteiras.
“Minha proposta é mostrar a culinária brasileira, mas também gosto de misturar culturas. Trago influências do Brasil, Portugal, França, Espanha e agora também do Japão”, explica.

O acarajé como símbolo cultural
Entre os pratos que marcaram sua trajetória internacional, o acarajé ocupa um lugar especial.
Curiosamente, Vânia afirma que só aprendeu a preparar o tradicional quitute baiano depois de deixar o Brasil.
“Eu nunca tinha feito acarajé no Brasil. Foi em Portugal que comecei a trabalhar com ele. Levei tão a sério que hoje consigo reproduzir o verdadeiro sabor do acarajé baiano, respeitando todos os ingredientes e etapas do preparo”, afirma.
Segundo ela, o prato se tornou um dos maiores símbolos da cultura brasileira na Europa.
“Quando apresento acarajé ou moqueca baiana em qualquer lugar do mundo, as pessoas gostam. São sabores que representam muito bem o Brasil.”

Workshop aproxima brasileiros da cultura nordestina
Durante sua passagem pelo Japão, Vânia realizou workshops voltados à culinária brasileira, incluindo uma oficina especial de acarajé em Hekinan.
Para a chef, a experiência foi marcante não apenas pelo aspecto gastronômico, mas também pelas conexões humanas criadas ao longo do caminho.
“Foi muito especial porque participaram pessoas que eu já conhecia de exposições em Paris, além de brasileiros que nunca tinham provado acarajé. Poder compartilhar essa tradição tão longe do Brasil foi extremamente gratificante.”

Uma paixão antiga pelo Japão
Apesar de ser sua primeira experiência mais profunda no país, a relação de Vânia com a cultura japonesa vem de longa data.
“Na minha cidade havia uma colônia japonesa e a família da minha primeira filha também tem origem japonesa. Sempre tive essa ligação. No ano passado minha filha sugeriu fazermos uma viagem ao Japão e eu aceitei sem pensar duas vezes.”
A recepção encontrada aqui reforçou sua admiração pelo país.
“Eu amo o Japão. Tenho gostado muito da comunidade brasileira que conheci aqui. Fui recebida com muito carinho.”
Gastronomia, arte e empreendedorismo
Além da culinária, Vânia também atua como embaixadora da Artcom na França e foi uma das responsáveis por aproximar artistas brasileiros de exposições realizadas no Carrossel do Louvre, em Paris.
Essa ligação acabou fortalecendo sua relação com os organizadores do Arte Brasil 2026.
“Foi através dessa parceria cultural que nasceu a amizade com a equipe do Arte Brasil. Quando recebi o convite para participar do evento aqui no Japão, fiquei muito feliz.”
No Arte Brasil 2026, ela será uma das responsáveis pela preparação do coquetel oficial do evento e promete uma experiência gastronômica marcada pela integração cultural.

“Minha proposta sempre foi unir culturas através da comida. No meu trabalho estão presentes influências do Brasil, Portugal, França, Espanha, Suíça e agora do Japão. Quero levar essa experiência para o Arte Brasil.”
Para ela, a gastronomia ocupa um papel fundamental em eventos culturais.
“A comida faz parte da nossa identidade. Quando mostramos nossa culinária, mostramos também nossa história, nossa cultura e nossa forma de ver o mundo.”
Uma mensagem aos brasileiros no Japão
Além de divulgar a culinária brasileira, Vânia também utiliza seus workshops para incentivar o empreendedorismo entre imigrantes.
Segundo ela, muitos brasileiros possuem talentos e habilidades que podem se transformar em oportunidades de negócio.
“Quero deixar uma mensagem de coragem e ousadia. Muitos brasileiros aqui já empreendem sem perceber. Fazem um salgado, um doce, um prato especial. Existem muitos talentos escondidos. É importante acreditar no próprio potencial e não desistir dos sonhos.”
Para a chef, a comida possui um poder único de aproximar pessoas e criar conexões.
“Através da comida podemos tocar qualquer cultura e qualquer nacionalidade. Ela tem o poder de unir, acolher e levar as pessoas a lugares que elas jamais imaginaram.”
Fotos: Alex Santos (alexsantosjp)
























































































































