A Agência Nacional de Polícia do Japão (NPA) iniciou estudos para obter um novo poder de investigação que permitiria acessar remotamente smartphones de suspeitos, em uma tentativa de combater o avanço das organizações criminosas conhecidas como “tokuryu”.
A proposta, anunciada em 6 de agosto, busca permitir que investigadores monitorem comunicações e obtenham informações capazes de ajudar a prevenir roubos, fraudes e outros crimes antes que sejam cometidos.
O plano, porém, levanta importantes questões jurídicas, especialmente em relação ao sigilo das comunicações e ao devido processo legal, direitos protegidos pela Constituição japonesa. Por isso, a NPA criou um grupo formado por especialistas em direito criminal, advocacia e segurança cibernética para avaliar a necessidade, os limites e as salvaguardas do eventual sistema.
As organizações tokuryu são consideradas particularmente difíceis de combater porque utilizam aplicativos de mensagens com forte criptografia e estruturas descentralizadas, nas quais intermediários recrutam criminosos enquanto os responsáveis pelas ordens permanecem ocultos.
A preocupação aumentou diante do crescimento das fraudes: no primeiro semestre de 2026, as perdas provocadas por golpes classificados como fraudes especiais chegaram, em média, a 1 bilhão de ienes por dia.
A polícia defende que o acesso remoto poderia fornecer informações para identificar integrantes das organizações e proteger potenciais vítimas antes que os crimes aconteçam. O debate deverá servir de base para uma possível nova legislação no Japão.
Fonte: The Asahi Shimbun











