O governo do Japão reconheceu que a recente crise do arroz no país foi agravada pela superestimação dos estoques disponíveis e pela demora em compreender a gravidade da situação e liberar as reservas emergenciais do produto. A escassez tornou-se evidente a partir do verão de 2024, impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo uma colheita prejudicada pelas altas temperaturas, o aumento do consumo devido ao turismo internacional e o armazenamento doméstico motivado pelo temor de um grande terremoto na Fossa de Nankai.
Segundo o livro branco anual da agricultura aprovado pelo gabinete da primeira-ministra Sanae Takaichi, o governo partiu do pressuposto de que a produção era suficiente e não monitorou adequadamente a distribuição do arroz, contribuindo para a disparada dos preços.
Durante o auge da crise, o preço do arroz chegou a ultrapassar 4.000 ienes por cinco quilos, levando muitos consumidores a substituí-lo por pão e macarrão instantâneo. Embora o governo tenha liberado estoques de emergência para conter a alta dos preços, admitiu que a medida foi adotada tardiamente e não conseguiu reduzir as preocupações do mercado.
O relatório também destaca que as importações privadas de arroz cresceram 95 vezes em 2025, alcançando quase 97 mil toneladas, enquanto as exportações japonesas de produtos agrícolas, como arroz, carne bovina e chá verde, aumentaram 12,8%, atingindo 1,7 trilhão de ienes.
O episódio evidenciou os desafios enfrentados pelo setor agrícola japonês diante das mudanças climáticas, do envelhecimento populacional e das transformações nos padrões de consumo e demanda.
Fonte: Japan Today









