A província de Aichi, no Japão, poderá se tornar palco de um importante avanço da medicina reprodutiva. A Universidade de Saúde Fujita anunciou que está se preparando para realizar, nos próximos anos, ensaios clínicos de transplante de útero em mulheres que não conseguem engravidar ou dar à luz naturalmente.
Inicialmente, a instituição pretende realizar o procedimento em três pacientes, incluindo pelo menos uma mulher que nasceu sem útero. No futuro, o tratamento poderá ser oferecido também a pacientes que tiveram o órgão removido devido ao câncer.
O anúncio foi feito após a primeira reunião de um grupo de trabalho especializado na pesquisa de transplantes uterinos. A universidade pretende encaminhar ainda este ano um pedido formal para avaliação de um painel acadêmico responsável pela análise ética e científica do projeto.
Segundo o professor de obstetrícia e ginecologia Iori Kisu, líder da pesquisa, o objetivo é oferecer uma nova possibilidade para mulheres que desejam ter filhos biológicos.
“Não temos dúvidas de que existem pacientes que se beneficiarão com isso”, afirmou Kisu durante a reunião.
O procedimento prevê que a paciente receba um útero transplantado e tente engravidar por meio de fertilização com óvulos previamente congelados e fecundados com o esperma do parceiro.
Apesar do potencial benefício, especialistas destacam que o transplante de útero envolve desafios éticos e médicos importantes, já que tanto a receptora quanto a doadora ficam expostas aos riscos de uma cirurgia complexa.
Dados internacionais mostram que mais de 150 transplantes de útero já foram realizados em diversos países, resultando no nascimento de mais de 70 crianças. Um levantamento da Sociedade Internacional de Transplante de Útero registrou 44 nascimentos entre 2000 e 2024, embora parte das gestantes tenha apresentado complicações, como hipertensão durante a gravidez e partos prematuros.
Para o vereador Jhony Sasaki, iniciativas como essa demonstram o compromisso da ciência japonesa com a inovação e a qualidade de vida das pessoas.
“É impressionante acompanhar o avanço da medicina no Japão. Pesquisas como essa representam esperança para mulheres e famílias que sonham em ter filhos. Ao mesmo tempo, mostram a importância de investir continuamente em ciência, tecnologia e saúde para ampliar oportunidades e melhorar a vida das pessoas”, destacou Jhony Sasaki.
Caso seja aprovado, o projeto poderá colocar o Japão entre os países que lideram o desenvolvimento de novas alternativas para o tratamento da infertilidade e da ausência uterina.
Fonte: Japan Today











