Um dos maiores nomes da história do futebol japonês voltou a viver um momento especial no último fim de semana durante o Festival Brasil & Latino 2026. Ídolo da seleção japonesa e da J.League, Ruy Ramos subiu ao palco não como ex-jogador, mas como integrante do Pagode do Ramos, grupo formado por amigos e que tem como cantora principal sua filha, Fabiana Ramos.
O retorno ao festival teve um significado especial. Após um longo período afastado dos palcos, Ramos voltou a se apresentar justamente em um evento do qual participou por muitos anos, reencontrando um público que acompanha sua trajetória há décadas.


Uma história que ajudou a transformar o futebol japonês
Nascido no Rio de Janeiro, Ruy Ramos chegou ao Japão em 1977 e construiu uma das carreiras mais importantes da história do futebol japonês. Naturalizado japonês em 1989, tornou-se um dos grandes responsáveis pela popularização da modalidade no país, defendendo o tradicional Verdy Kawasaki e vestindo a camisa da seleção japonesa.
Reconhecido pelo talento, pela liderança e pela personalidade dentro de campo, Ramos foi um dos protagonistas da conquista da Copa da Ásia de 1992, primeiro grande título internacional da seleção japonesa e um marco no desenvolvimento do futebol no país. Até hoje é lembrado como um dos principais símbolos da J.League e uma das personalidades esportivas mais respeitadas do Japão.

Mas sua paixão pelo Brasil sempre permaneceu viva. Nos últimos anos, a música passou a ocupar um espaço especial em sua vida, levando-o novamente aos palcos ao lado dos amigos do Pagode do Ramos, grupo que une samba, pagode e a forte ligação entre as culturas brasileira e japonesa.

Em conversa com o fotógrafo Alex Santos, do VejaOnline.jp, Ramos falou sobre a felicidade de retornar ao festival.
“Graças a Deus estou bem. Estou muito feliz em voltar aos palcos e, principalmente, por estar novamente no Festival Brasil. É um palco onde já me apresentei por muitos anos.”
Se durante o show o carinho do público já era evidente, nos bastidores ele ficou ainda mais claro.
Enquanto conversava com a reportagem, uma longa fila de admiradores japoneses começou a se formar. Homens, mulheres, crianças e jovens aguardavam pacientemente apenas por alguns segundos ao lado daquele que ajudou a escrever um dos capítulos mais importantes do esporte japonês.
Ao término da apresentação, Ramos fez questão de atender todos os fãs que ainda o aguardavam. Distribuiu autógrafos, posou para fotografias e conversou com cada pessoa da fila, demonstrando a mesma simpatia e simplicidade que o transformaram em uma figura tão querida no Japão.
Foi justamente nesse momento que aconteceu uma das cenas mais divertidas da noite. Um torcedor japonês levou um álbum repleto de fotografias da época em que Ramos brilhava nos gramados. Enquanto autografava as imagens, ele olhou para o público que o aguardava e brincou:
“É muito bom lembrar da época em que eu tinha bastante cabelo e a barba era toda preta. Agora o cabelo está caindo e a barba ficou branca.”
A espontaneidade arrancou risadas dos fãs e combinou perfeitamente com as fotografias de sua juventude, relembrando os tempos em que encantava os estádios japoneses com a camisa do Verdy Kawasaki e da seleção japonesa.


Para quem acompanha sua trajetória há muitos anos, o reencontro teve um significado ainda maior.
Em 2011, durante o terremoto e tsunami que devastaram a região de Tohoku, o fotógrafo Alex Santos acompanhou o trabalho de voluntários nos abrigos e registrou um lado pouco conhecido de Ruy Ramos. Longe dos gramados e dos holofotes, ele ajudava na preparação de alimentos para os desabrigados e levava palavras de apoio às vítimas da tragédia.


Quinze anos depois daquele encontro em Tohoku, revê-lo novamente cercado pelo carinho do público, cantando e sorrindo no Festival Brasil & Latino 2026 foi a confirmação de que seu legado vai muito além do futebol.

Ruy Ramos ajudou a construir a história do esporte japonês, mas foi sua humildade, seu bom humor e a forma como sempre se aproximou das pessoas que fizeram dele uma figura admirada por diferentes gerações. No festival, isso ficou evidente mais uma vez: a fila de fãs parecia não ter fim, e ele permaneceu no local até atender o último admirador.
No palco ou fora dele, Ruy Ramos continua sendo um símbolo da amizade entre Brasil e Japão, um legado construído não apenas com títulos e conquistas, mas também com gestos de carinho, respeito e proximidade com o público.
Por Alex Santos | VejaOnline.jp
Fotos: Alex Santos/CCBJ
Photo: gettyimages/Etsuo Hara










